O primeiro semestre de 2026 marcou uma mudança importante no comportamento dos mercados. A expectativa de início do ciclo de redução da taxa Selic, combinada com inflação sob controle e valorização do real frente ao dólar, favoreceu principalmente os ativos brasileiros de renda variável.
O grande destaque foi o Ibovespa, que recuperou parte das perdas acumuladas nos últimos anos e encerrou junho entre os melhores investimentos do período, impulsionado principalmente pelos setores financeiro, consumo e infraestrutura. O índice acumulou ganho próximo de 6,8% no semestre.
Na renda fixa, o CDI continuou oferecendo excelente retorno, beneficiado pela manutenção da Selic em patamar elevado durante praticamente todo o semestre. O CDI acumulou cerca de 6,8% entre janeiro e junho, proporcionando rentabilidade elevada com baixo risco.
Já o Bitcoin decepcionou os investidores. Depois dos fortes ganhos registrados em 2024 e parte de 2025, a criptomoeda sofreu forte realização de lucros, encerrando o semestre como o pior investimento entre as principais classes de ativos acompanhadas pelo mercado.
O dólar também apresentou desempenho negativo diante da valorização do real, reduzindo os ganhos de quem manteve posição na moeda americana durante o período.
Comparativo dos principais investimentos
| Investimento | Rentabilidade Bruta | Rentabilidade Líquida* |
| Ibovespa | 6,76% | 6,76% |
| CDI | 6,84% | 5,81% |
| Tesouro Selic | 6,80% | 5,78% |
| Fundos DI | 6,60% | 5,61% |
| IFIX (Fundos Imobiliários) | cerca de 4,5% | cerca de 4,5%** |
| Ouro | cerca de 2% | cerca de 1,7% |
| Poupança | cerca de 3,6% | 3,6% |
| Dólar | aproximadamente -10% | -10% |
| Bitcoin | aproximadamente -20% | -20% |
* Rentabilidade líquida estimada considerando a tributação típica para pessoa física.
** Desconsiderando eventual tributação sobre ganho de capital na venda.
O que explica esse desempenho?
Alguns fatores determinaram o comportamento dos mercados:
- manutenção dos juros elevados durante a maior parte do semestre;
- expectativa crescente de início do ciclo de cortes da Selic;
- inflação em trajetória de desaceleração;
- valorização do real frente ao dólar;
- recuperação dos lucros das empresas brasileiras;
- entrada de capital estrangeiro na bolsa brasileira.
Principais conclusões
O primeiro semestre mostrou que:
- a renda fixa continuou extremamente competitiva, oferecendo retorno elevado com risco reduzido;
- a bolsa brasileira voltou a superar a renda fixa em diversos momentos, refletindo a expectativa de queda dos juros;
- ativos dolarizados perderam espaço devido ao fortalecimento do real;
- criptomoedas passaram por um período de forte correção, após anos de intensa valorização.
Para o segundo semestre de 2026, o cenário dependerá principalmente da velocidade dos cortes da Selic, da evolução da inflação e do ambiente fiscal brasileiro. Caso o ciclo de redução dos juros se consolide, ativos de maior risco, como ações, fundos imobiliários e títulos prefixados, tendem a continuar entre os principais beneficiados, enquanto a renda fixa pós-fixada deverá apresentar redução gradual de sua atratividade relativa.
Miguel José Ribeiro de Oliveira – Portal Vida Econômica






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