O mais recente Panorama do Sistema de Consórcios (PSC) divulgado pelo Banco Central refere-se ao desempenho do setor em 2024 e foi publicado em julho de 2025. O relatório confirma que o sistema de consórcios continua sendo uma das modalidades de planejamento financeiro que mais crescem no Brasil, beneficiado principalmente pelos juros elevados do crédito tradicional.
Resumo Executivo
Os principais números do setor em 2024 foram:
| Indicador | Resultado |
| Recursos coletados | R$ 121,8 bilhões |
| Crescimento dos recursos coletados | +20,6% |
| Carteira administrada | R$ 125,7 bilhões |
| Crescimento da carteira | +31,5% |
| Cotas ativas | 11,35 milhões |
| Cotas contempladas | 1,68 milhão |
| Percentual contemplado | 14,8% |
O crescimento ocorreu em praticamente todos os segmentos, com destaque para os consórcios imobiliários.
Principais Pontos Positivos
1. Expansão consistente do mercado
O número de cotas ativas alcançou 11,35 milhões, evidenciando forte adesão da população ao modelo de compra programada. O setor vem registrando crescimento contínuo há vários anos, consolidando-se como alternativa ao financiamento bancário tradicional.
2. Crescimento expressivo da carteira
A carteira administrada cresceu 31,5%, ritmo superior ao observado em diversas modalidades de crédito do Sistema Financeiro Nacional. Isso demonstra aumento da confiança dos consumidores e maior capacidade das administradoras em captar recursos.
3. Destaque para o segmento imobiliário
O Banco Central destaca o avanço dos consórcios de imóveis, que foram o principal vetor de crescimento do sistema. Em um ambiente de juros elevados para financiamento imobiliário, o consórcio tornou-se uma alternativa mais atrativa para aquisição patrimonial de longo prazo.
4. Baixa inadimplência
O setor apresentou inadimplência média de aproximadamente 2,35%, indicador bastante controlado para um mercado com mais de 11 milhões de participantes. Isso reforça a solidez do modelo.
Pontos de Atenção
1. Elevado índice de exclusão de cotas
Embora tenha ocorrido ligeira melhora percentual, o índice de exclusão permaneceu elevado, próximo de 48,6%. Isso significa que quase metade das cotas encerradas não chegou ao fim do plano originalmente contratado.
Esse dado sugere:
- dificuldade de manutenção dos pagamentos ao longo do tempo;
- contratação inadequada ao perfil financeiro do consumidor;
- desistências motivadas por demora na contemplação.
2. Recursos Não Procurados (RNP)
O estoque de valores não reclamados pelos participantes chegou a aproximadamente R$ 2,08 bilhões. Apesar de o Sistema de Valores a Receber (SVR) ter devolvido R$ 1,34 bilhão aos consumidores em 2024, o saldo continuou crescendo.
Isso revela necessidade de maior educação financeira e comunicação das administradoras com ex-consorciados.
3. Aumento das taxas de administração
A taxa média de administração dos grupos novos apresentou elevação, alcançando cerca de 18,35%. Embora o consórcio não tenha juros, o custo administrativo continua sendo um fator relevante na comparação com outras formas de aquisição de bens.
Análise Econômica
O desempenho do sistema está diretamente relacionado ao cenário macroeconômico.
Durante 2024:
- os juros permaneceram elevados;
- o crédito bancário continuou caro para famílias e empresas;
- consumidores buscaram alternativas de aquisição sem incidência de juros compostos.
Nesse contexto, o consórcio passou a ser visto menos como um produto de nicho e mais como uma ferramenta de planejamento patrimonial.
Perspectivas para 2025 e 2026
Os dados preliminares do setor indicam que o crescimento continuou em 2025, especialmente nos segmentos de imóveis, veículos pesados e utilização empresarial dos consórcios. O aumento da participação empresarial sugere uma mudança estrutural: empresas passaram a utilizar consórcios também como instrumento de investimento e renovação de ativos.
Entre as tendências para os próximos anos destacam-se:
- digitalização das administradoras;
- maior uso de inteligência de dados para reduzir cancelamentos;
- expansão dos consórcios imobiliários;
- crescimento do uso corporativo do produto;
- fortalecimento da supervisão regulatória do Banco Central.
Conclusão
O Panorama do Sistema de Consórcios mostra um setor em forte expansão, financeiramente sólido e cada vez mais relevante para o mercado brasileiro. O crescimento das cotas, dos recursos administrados e da carteira demonstra maturidade do segmento. Por outro lado, os elevados índices de exclusão e o aumento das taxas administrativas permanecem desafios importantes.
Para investidores, administradoras e participantes, a principal mensagem do relatório é que o consórcio deixou de ser apenas uma alternativa ao financiamento e passou a ocupar papel estratégico no planejamento patrimonial de longo prazo no Brasil.
Miguel José Ribeiro de Oliveira – Portal Vida Econômica






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